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Vitor Roque tem nova missão no Palmeiras após deixar o problema mais evidente após retorno

O problema físico ficou para trás, mas a cobrança mudou de lugar Vitor Roque agora precisa responder a uma exigência que vai além da recuperação Vitor R...

Vitor Roque tem nova missão no Palmeiras após deixar o problema mais evidente após retorno
Vitor Roque tem nova missão no Palmeiras após deixar o problema mais evidente após retorno (Foto: Reprodução)

O problema físico ficou para trás, mas a cobrança mudou de lugar Vitor Roque agora precisa responder a uma exigência que vai além da recuperação

Vitor Roque já atravessou a parte mais evidente do problema no Palmeiras. Voltou de uma cirurgia no tornozelo, recuperou a condição física, retomou a sequência de partidas e, em determinado momento, chegou a receber de Abel Ferreira a confirmação de que estava novamente mais próximo das características que fizeram o clube investir nele. A questão agora é outra, já que precisa mostrar que consegue permanecer no nível exigido para ser uma peça estrutural do time na reta decisiva da temporada. É uma mudança de estágio importante.

Os números ajudam a explicar por que a discussão ainda está aberta. Desde o retorno aos gramados, em julho, o camisa 9 disputou 17 partidas, dez como titular, e marcou três gols. A sequência de oito jogos sem balançar as redes, registrada antes da Data Fifa, é a maior dele no ano. Ao mesmo tempo, reduzir a análise ao jejum seria simplificar demais a questão. O próprio desempenho recente mostrou sinais diferentes, contra a LDU, por exemplo, teve quatro finalizações, sofreu sete faltas e participou diretamente do lance que originou o gol de Giay. Dois dias depois, contra o São Paulo, voltou a marcar com bola rolando.

O detalhe mais interessante está justamente nessa diferença entre produção estatística e participação no jogo. Abel chegou a cobrar publicamente quando o atacante perdeu força no um contra um e parecia distante de uma das características que mais justificaram sua contratação. Depois da partida contra a LDU, porém, o treinador destacou que havia visto um jogador “mais parecido” com aquele que conhecia. Ou seja: para a comissão técnica, a consolidação de Roque vai além da quantidade de gols. Passa pela capacidade de voltar a impor problemas ao adversário, atacar espaços, disputar fisicamente e alterar o comportamento da defesa.

A concorrência para Vitor Roque também é tática

Isso muda também a natureza da concorrência dentro do próprio Palmeiras. Flaco López atravessa uma temporada de enorme produção, com 21 gols e nove assistências em 51 jogos até o fim de setembro, além de ter renovado contrato até 2030. Mauricio e Sosa também tiveram momentos importantes quando a dupla titular estava fora. Portanto, o atacante precisa reconquistar uma posição dentro de um setor que ganhou alternativas e no qual Abel já demonstrou que pode alterar características sem necessariamente manter dois centroavantes.

Desta forma, aparece uma questão tática diferente daquela discutida no começo da temporada. O Verdão já descobriu que consegue jogar de uma maneira mais móvel, aproximando jogadores como Mauricio e Arias de Flaco. Ao mesmo tempo, Abel identificou desde a volta da dupla Flaco-Roque que o camisa 9 oferece algo específico, com profundidade e capacidade de empurrar a última linha adversária para trás. Em julho, o próprio treinador explicava que queria recuperar agressividade perto da área e equilibrar diferentes rotas de ataque. Assim, a missão do camisa 9 é fazer com que a estrutura do time funcione melhor quando ele está em campo.

O que se espera do camisa 9?

Eis o ponto central para os próximos meses. A SEP chega à reta decisiva precisando administrar três competições e, ao mesmo tempo, conviveu recentemente com queda de rendimento ofensivo, lesões e menor disponibilidade de alternativas. A equipe avançou à semifinal da Libertadores e segue na disputa do Brasileirão, mas o próprio diagnóstico interno apontou problemas de tomada de decisão, desgaste e encaixe ofensivo. Nesse cenário, um Vitor Roque capaz de sustentar intensidade, atacar profundidade e abrir espaços para Flaco, Arias ou quem vier de trás vale mais do que um atacante dependente exclusivamente da própria finalização.

O intervalo da Data Fifa oferece a Roque algo que ele praticamente não teve desde o retorno da cirurgia — tempo. Como não foi convocado, ficou fora do calendário internacional e pôde permanecer na Academia de Futebol enquanto parte importante do elenco se dividiu entre viagens e seleções. Trata-se de uma oportunidade concreta para trabalhar finalização, movimentos específicos e, sobretudo, transformar os minutos acumulados desde julho em ritmo competitivo mais consistente.

O desafio não deveria ser colocado como uma cobrança para que Roque marque em determinado número de jogos. Isso produziria uma leitura estreita justamente quando o atacante precisa recuperar a dimensão mais completa de seu futebol. O indicador mais importante será a repetição. Se conseguir voltar a ser agressivo nos duelos, atacar as costas da defesa, pressionar, oferecer linha de passe e aparecer com frequência dentro da área, os gols tendem a deixar de ser a única régua pela qual sua participação será medida. Para Abel, consistência de comportamento pode pesar tanto quanto uma sequência isolada de bolas na rede.

Em busca da consolidação

O jogador que chegou na Academia carregando o maior investimento da história do clube agora precisa fazer justamente o movimento contrário ao da expectativa criada pelo preço, em um trabalho para diminuir o tamanho da cobrança externa e aumentar o peso da resposta dentro de campo. O mercado pode projetar Roque como um dos jovens mais valiosos do futebol brasileiro, mas a comissão técnica trabalha com outra moeda. Ela precisa saber se o atacante consegue responder em partidas de alto nível, contra adversários que exigem intensidade e em um time que não pode esperar indefinidamente pela melhor versão de ninguém.

Agora começa a fase de consolidação. Ele precisa transformar lampejos de retomada em padrão de atuação e fazer com que Abel enxergue uma peça que aumenta as possibilidades do Verdão. O gol contra o São Paulo foi importante justamente por isso, assim como a atuação contra a LDU. Mas a reta final da temporada exigirá algo maior: repetição. É essa sequência de respostas que poderá definir qual versão de Vitor Roque o Palmeiras terá quando os títulos estiverem sendo decididos.