Palmeiras encontra na escalação uma combinação que pode mudar os planos na reta final da temporada
Abel Ferreira pode ter encontrado o ajuste perfeito para a formação tática no momento mais crítico do ano O Palmeiras pode ter encontrado na reta final da ...
Abel Ferreira pode ter encontrado o ajuste perfeito para a formação tática no momento mais crítico do ano
O Palmeiras pode ter encontrado na reta final da temporada uma resposta que Abel Ferreira procurava há algum tempo. Não necessariamente uma nova formação definitiva, mas uma combinação capaz de alterar a maneira como o time ocupa o campo. A linha de quatro diante do Grêmio recolocou Marlon Freitas, Lucas Evangelista e Andreas Pereira juntos no meio e produziu um dos maiores volumes ofensivos do Verdão depois da Copa do Mundo. Foram 29 finalizações no empate por 0 a 0.
É justamente aí que uma reflexão é fundamental para uma transição tática em momento decisivo, pois o Verdão não precisa escolher entre jogar com três zagueiros ou quatro defensores como quem escolhe uma religião. Abel pode ter percebido que, em determinados jogos, retirar um homem da última linha significa acrescentar uma peça capaz de melhorar a circulação, aproximar os atacantes e sustentar a pressão no campo adversário. A mudança, portanto, é sobre onde o Palestra quer concentrar sua força de maneira assertiva.
Contra o Grêmio, Lucas Evangelista ocupou uma vaga que normalmente pertence a um dos três zagueiros. Com Marlon como referência mais baixa e Andreas atuando mais adiantado pelo lado esquerdo, o Palestra passou a ter três jogadores com características diferentes no setor central. A consequência foi importante, pois o time conseguiu ocupar melhor os espaços entre as linhas e manter mais gente próxima de Flaco López e Vitor Roque.
Isso ajuda a explicar por que o volume apareceu. No sistema com três zagueiros, a ‘equipa’ ganha uma sobra defensiva e libera os alas para atacar, mas também pode ter menos gente naturalmente posicionada por dentro. Na linha de quatro, o terceiro meio-campista aparece justamente onde o jogo costuma ser decidido: na conexão entre a primeira construção e os homens de frente. Não significa necessariamente atacar com mais jogadores. Significa atacar com jogadores mais próximos uns dos outros.
Como Evangelista vira o trunfo de Abel?
O Maior Campeão do Brasil passou boa parte do pós-Copa procurando maneiras de recuperar o desempenho que apresentou na primeira metade do ano. Segundo o ge, foram 18 partidas desde o retorno do Mundial, com dez utilizando três zagueiros e oito com dois defensores. A distância entre os números mostra que Abel não abandonou uma ideia pela outra, mas também revela que existe espaço para alternância.
A escolha por Lucas Evangelista ganha peso porque ele oferece uma alternativa de passe, aproxima Marlon da construção e permite que Andreas jogue alguns metros mais à frente. É uma pequena mudança de geometria que pode alterar bastante o comportamento ofensivo do time. O Palmeiras deixa de depender tanto da chegada dos alas para criar superioridade e passa a construir parte dela por dentro.
O risco que se assume com a mudança
Há, evidentemente, uma conta defensiva. Tirar um zagueiro significa assumir mais responsabilidade nos duelos individuais e na proteção das costas dos laterais. Em jogos de mata-mata, principalmente contra adversários capazes de atacar rapidamente os espaços, esse risco não pode ser ignorado. É por isso que seria precipitado transformar o 4-3-1-2 em uma nova religião tática de Abel. O mais provável é que o treinador tenha ganhado uma ferramenta, não encontrado uma fórmula única.
Existe uma circunstância que favorece essa descoberta, já que a SEP terá uma sequência pesada pela frente, com dez jogos em 30 dias, começando pelo Bahia e passando pelo clássico contra o Corinthians antes da visita ao Fluminense pela Libertadores. O calendário exige capacidade de adaptação. Abel dificilmente poderá pedir o mesmo tipo de jogo em todas essas partidas.
Um sinal positivo sobre a mudança já foi dado, basta aprimorar
O ‘X da questão’ sobre o esquema de três zagueiros está no fato de se o comandante do Palestra pode deixar de tratá-lo como ponto de partida obrigatório. O jogo contra o Grêmio mostrou que uma equipe com Marlon, Lucas e Andreas por dentro consegue empurrar o adversário para trás e produzir volume mesmo longe de casa. O empate, obviamente, impediu que o experimento viesse acompanhado do resultado, inclusive expondo a deficiência preocupante em converter construção em gol. Mas não apagou o sinal tático.
Na reta decisiva, talvez a maior evolução do Palmeiras seja justamente essa liberdade. Um time capaz de começar com três zagueiros quando precisar de segurança, mas também de colocar três homens de meio quando precisar transformar domínio em produção. A questão deixou de ser quantidade de jogadores atrás ou na frente. É onde o Palmeiras consegue colocar seus melhores jogadores para fazer o jogo acontecer.