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Encaixe de trio no meio-campo desafia o Palmeiras e define a estratégia do fim da temporada

A alternância entre dois e três zagueiros abre caminhos para o meio-campo alviverde, enquanto cada escolha exige uma compensação que vai além da escalaçã...

Encaixe de trio no meio-campo desafia o Palmeiras e define a estratégia do fim da temporada
Encaixe de trio no meio-campo desafia o Palmeiras e define a estratégia do fim da temporada (Foto: Reprodução)

A alternância entre dois e três zagueiros abre caminhos para o meio-campo alviverde, enquanto cada escolha exige uma compensação que vai além da escalação

A reta final da temporada colocou Abel Ferreira diante de uma questão que vai além da escolha dos titulares: como distribuir as responsabilidades do Palmeiras sem comprometer a capacidade de atacar e a proteção defensiva? A alternância entre dois e três zagueiros abriu espaço para diferentes combinações no meio-campo, com Marlon Freitas, Lucas Evangelista e Andreas Pereira como personagens centrais de uma decisão que envolve características individuais, ocupação dos espaços e adaptação aos adversários.

Em reportagem publicada em 6 de outubro, o ge mostrou que o Palestra havia disputado 18 partidas desde o retorno da Copa do Mundo, dez com três zagueiros e oito com uma linha de quatro defensores. O levantamento indicava a preferência de Abel pela primeira estrutura, sobretudo nos compromissos de mata-mata, mas também apontava uma alternativa promissora. No empate sem gols com o Grêmio, a equipe utilizou Marlon e Lucas como volantes, com Andreas mais adiantado, e produziu 29 finalizações. O resultado não veio, mas a formação ofereceu uma resposta ofensiva relevante.

A presença de Lucas Evangelista ajuda a explicar o interesse nessa configuração. Com dois zagueiros, Abel ganha uma vaga adicional no meio-campo sem necessariamente abrir mão de um jogador capaz de participar da construção e das coberturas. Lucas pode aproximar a saída de bola do setor ofensivo, oferecer linhas de passe e recompor quando os companheiros avançam. Seu valor não depende apenas de assistências ou gols, mas também da maneira como facilita o funcionamento dos jogadores ao redor. Contra o Fluminense, no Maracanã, o meio-campista mostrou outra face dessa contribuição ao desarmar Hulk dentro da área aos 42 minutos do primeiro tempo.

Marlon Freitas, por sua vez, oferece continuidadee sustentação à equipe. Em levantamento publicado, também pelo mesmo ge, em meados de setembro, o volante acumulava 4.673 minutos na temporada, com participação em 52 dos 56 jogos disputados pela SEP e 49 titularidades. Era o jogador de linha com mais minutos no futebol brasileiro naquele recorte. Os números ajudam a dimensionar sua importância para Abel, tanto na marcação quanto na construção. Sua presença frequente permite ao treinador contar com um jogador habituado a organizar o setor e a responder às exigências de diferentes desenhos táticos.

Os diversos caminhos da ‘meiuca’ do Palmeiras

Andreas Pereira acrescenta outra dimensão ao trio. Sua capacidade de encontrar passes verticais e acelerar a circulação oferece ao Verdaço uma alternativa para superar linhas de marcação sem depender exclusivamente dos avanços pelos corredores. No modelo com dois zagueiros, sua posição mais adiantada permite explorar espaços entre o meio-campo e a defesa adversária. Já em uma estrutura com três defensores, a equipe pode preservar a segurança atrás e distribuir a criação entre os jogadores mais avançados. O desafio está em garantir que a liberdade de Andreas não deixe espaços excessivos quando o adversário recupera a bola.

O Derby contra o Corinthians, vencido por 4 a 1, apresentou outro caminho. Com Gómez, Murilo e Barboza na linha defensiva, Giay e Piquerez puderam atuar pelos lados, enquanto Lucas e Andreas participaram da composição do meio-campo. A vitória mostrou como a estrutura com três zagueiros pode liberar os alas e criar diferentes caminhos para chegar à área. O desempenho, entretanto, não deve ser interpretado como prova de superioridade absoluta do esquema: o resultado também dependeu da execução dos jogadores, das características do adversário e dos espaços encontrados durante a partida.

Três dias depois, no Maracanã, o Palmeiras voltou a demonstrar a utilidade dessa estrutura em um contexto distinto. Na vitória por 2 a 1 sobre o Fluminense, pela ida da semifinal da Libertadores, a equipe passou boa parte do primeiro tempo sob pressão e terminou a etapa inicial com apenas 31% de posse de bola, conforme o recorte acompanhado durante a partida. Andreas iniciou a jogada do gol de Flaco López, que recebeu cruzamento de Piquerez, enquanto Marlon ampliou na etapa final. Lucas também contribuiu defensivamente, e o trio mostrou que suas funções não se resumem à produção ofensiva: em jogos de maior pressão, proteger a área e aproveitar as poucas oportunidades disponíveis pode ser tão importante quanto controlar a posse.

A vitória por 2 a 0 sobre o Athletico-PR acrescentou uma variável importante, pois o Palestra começou com três zagueiros e contou com Lucas Evangelista e Andreas Pereira no meio, enquanto Marlon foi preservado da formação inicial. Os gols de Mauricio e Piquerez saíram nos primeiros nove minutos, mas a expulsão de Andreas, aos 42 do primeiro tempo, alterou completamente o cenário. Marlon entrou no intervalo, e Abel precisou reorganizar a equipe para sustentar a vantagem com um jogador a menos. A partida evidenciou a importância de ter alternativas para modificar as funções durante o jogo, sem que isso signifique necessariamente uma mudança definitiva de sistema.

O que extrair da comparação entre os duelos palestrinos

A comparação entre esses compromissos revela que o Verdão consegue produzir em estruturas diferentes, desde que a distribuição das funções corresponda às exigências da partida. Contra o Grêmio, a linha de quatro abriu espaço para um meio-campista adicional e resultou em volume ofensivo expressivo. Diante do Corinthians, os três zagueiros favoreceram a participação dos alas em uma vitória contundente. Contra o Fluminense, a mesma estrutura serviu para suportar a pressão e explorar transições. Já diante do Athletico, a expulsão de Andreas exigiu uma resposta emergencial. São situações distintas, e atribuir os resultados exclusivamente ao desenho tático simplificaria demais a análise.

Nesse cenário, a disputa entre Marlon, Lucas e Andreas ganha importância para a reta final. Marlon oferece continuidade e proteção; Lucas amplia as possibilidades de conexão entre os setores; Andreas acrescenta recursos para acelerar a construção e encontrar passes capazes de romper linhas. Essas características não tornam os jogadores concorrentes em todas as circunstâncias. Pelo contrário, pois a combinação entre eles pode ser justamente a solução em determinadas partidas, enquanto outras exigências podem levar Abel a priorizar uma linha defensiva diferente ou redistribuir as responsabilidades do meio-campo.

Importante lembrar: não há ‘receita de bolo’

A questão central, portanto, não é afirmar que Abel já encontrou uma formação definitiva, mas reconhecer que o treinador dispõe de alternativas capazes de alterar o comportamento do Palmeiras conforme o adversário e o momento do jogo. Com o calendário apertado e três competições exigindo respostas, a flexibilidade ganha valor estratégico. O sistema precisa oferecer caminhos para atacar, proteger a defesa e reagir às mudanças de cenário sem depender de uma única maneira de jogar. Mais do que escolher entre dois ou três zagueiros, Abel precisa encontrar a combinação que permita ao Verdaço correr os riscos necessários sem perder a capacidade de controlar as consequências.